CEX - Ciclo de oficinas reune educadores/as em atividade de extensão no campus São Paulo
A cultura de produtividade e desumanização no ambiente escolar tem sido causa da exaustão emocional de muitos educadores/as e gestores/as. A digitalização e plataformização da educação pública, apesar de almejar inovação e melhorias tem materializado as pressões dessa cultura. Slides padronizados gerados por IA, obrigações de uso de determinadas mercadorias digitais, testes padronizados que definem o orçamento de cada escola e a exigência constante por resultados que tiram completamente a autonomia dos educadores e não refletem o aprendizado dos estudantes, são alguns mecanismos que fazem parte dessa realidade.
Foi esse cenário que motivou a criação do ciclo de oficinas chamado "Entre o Silêncio e o Grito: Saúde Emocional em Debate", organizado por Ludimila Rabaquini Lourenço e James do Nascimento, participantes do Laboratório de Educações Emancipadoras Sociodigitais (Labees), ação de extensão do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Campus Capivari. Este ciclo de oficinas que ocorreu nos dias 16 e 23 de agosto no campus São Paulo, criou um espaço de acolhimento e expressão, valorizando o cuidado como prática pedagógica essencial. Através de um mergulho sensível nos desafios emocionais da docência contemporânea, os/as participantes criaram experiências artísticas em formato de vídeos, fotografias e poemas.
O primeiro dia de encontro contou com rodas de conversa ao redor da mesa de café e um momento em que o professor Alexandre Aguado do IFSP Campus Capivari partilhou sobre tecnologias livres e comunitárias, cultura hacker e a existência de outras culturas tecnológicas que valorizam a autonomia, partilha, conhecimentos locais e criatividade. Inspirados/as por diversos projetos de criação tecnológica comunitária na america latina, os/as participantes foram instigados a criarem suas expressões artísticas ao longo da semana como forma de romper o silêncio e dar voz aos sentimentos muitas vezes sufocados pela rotina escolar e pela pressão por resultados.
No segundo dia, após um prazeroso momento de conversa, os/as participantes apresentaram suas criações e inquietações transformando o espaço em um ambiente vivo de trocas, escuta e partilha de experiências. As produções revelaram as múltiplas formas de sentir e resistir dentro da prática docente, ao mesmo tempo em que abriram caminhos para novas possibilidades de cuidado e colaboração.
Para muitos/as, esse momento foi profundamente significativo, pois contou com apresentações de poemas originais dos/as participantes, composições em slides, imagens e falas a respeito do tema, além de uma análise mais aprofundada das questões em torno da prática docente. Tivemos também a colaboração de uma estudante do último semestre de licenciatura, que trouxe um olhar sensível sobre as perspectivas dos colegas com anos de experiência, favorecendo um diálogo intergeracional e enriquecendo a construção coletiva de saberes.
Ao final do ciclo, ficou evidente que “Entre o Silêncio e o Grito” não foi apenas uma série de oficinas, mas um convite à transformação. O espaço criado possibilitou que educadores(as) e futuros(as) docentes pudessem reconhecer suas dores, compartilhar suas histórias e fortalecer seus laços coletivos. As expressões artísticas revelaram que, por trás dos números, metas e indicadores, existem sujeitos que sentem, criam e resistem.
O ciclo, portanto, deixou marcas profundas: um convite à escuta, à criação e à construção de tecnologias de cuidado que se contrapõem àquelas que apenas padronizam e controlam. Uma lembrança de que o grito e o silêncio podem coexistir, mas é na partilha que encontramos força para seguir.
Essa matéria foi escrita colaborativamente entre os/as participantes deste ciclo de oficinas.
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